Empresa brasileira inova no tratamento com canetas GLP-1 de fácil acesso
As chamadas canetas de emagrecimento viraram o assunto mais quente da saúde nos últimos anos. Elas ajudaram a redesenhar o tratamento da obesidade e movimentaram um mercado que não existia com essa força até pouco tempo atrás. Só que tem uma parte da história que rende menos manchete: começar o tratamento é fácil, difícil é manter. É nesse ponto que a Vauti, plataforma brasileira de saúde digital com sede em Barueri, na Grande São Paulo, decidiu se concentrar.
O tamanho do problema ajuda a entender o interesse. Em 2024, 62,6% dos adultos brasileiros estavam acima do peso, contra 42,6% em 2006, segundo a Pesquisa Vigitel 2025, do Ministério da Saúde. No mesmo intervalo, o número de adultos com obesidade cresceu 118%. E boa parte de quem tenta tratar esbarra em dois problemas bem práticos: conseguir a consulta e, principalmente, ter acompanhamento depois dela.
É nesse cenário que entra a Vauti, nova empresa brasileira que inova no setor ao levar o tratamento da obesidade, com avaliação e acompanhamento médico, inteiramente pelo celular de forma online. Tudo começa por um questionário de elegibilidade, gratuito e sem compromisso, que indica se o acompanhamento faz sentido para cada caso antes de qualquer cobrança. A avaliação médica sai em pouco tempo, sem fila e sem deslocamento. Quando o médico entende que há indicação, a prescrição é emitida e os medicamentos originais chegam em casa. Nada é iniciado sem avaliação e indicação de um médico responsável.
O que a empresa tenta marcar como diferença é o que vem junto do remédio. Não se trata de uma farmácia digital que despacha a caixa e some. O acompanhamento é multidisciplinar: médico responsável pela conduta clínica e nutricionista acompanhando alimentação e rotina ao longo de todo o plano. O contato acontece pelo celular durante o tratamento inteiro, e não em consultas soltas com meses de distância uma da outra.
O formato também foge do consultório tradicional. Os planos são mensais, sem cobrança avulsa por consulta, sem custo de entrega e sem fidelidade. Quem quiser cancelar, cancela.
Mais de 80 mil pacientes já passaram pelo acompanhamento da Vauti, segundo a empresa.
Nada disso acontece no vácuo. Lá fora, empresas de telessaúde como a Hims & Hers e a Ro construíram operações bilionárias distribuindo esse tipo de cuidado de forma digital. No Brasil, a régua é mais alta: a operação passa por regras da Anvisa e do Conselho Federal de Medicina sobre telemedicina, prescrição e publicidade. Para a Vauti, isso não é um detalhe de marketing, e sim a condição para existir. Sem médico responsável e acompanhamento de verdade, não há tratamento.
O mercado, por sinal, só tende a crescer. As projeções apontam que perto de metade dos adultos brasileiros pode conviver com obesidade nas próximas duas décadas. A aposta da Vauti é que o tratamento sério dessa conta caiba dentro da tela do celular, da primeira pergunta ao acompanhamento de rotina.